rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo.

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Penso, sonho, trabalho, amo... logo, existo!

sábado, maio 27, 2017

JÚLIO - SAUL DIAS

Já Foste Rico e Forte e Soberano

Já foste rico e forte e soberano,
Já deste leis a mundos e nações,
Heróico Portugal, que o gram Camões
Cantou, como o não pôde um ser humano!

Zombando do furor do mar insano,
Os teus nautas, em fracos galeões,
Descobriram longínquas regiões,
Perdidas na amplidão do vasto oceano.

Hoje vejo-te triste e abatido,
E quem sabe se choras, ou então,
Relembras com saudade o tempo ido?

Mas a queda fatal não temas, não.
Porque o teu povo, outrora tão temido,
Ainda tem ardor no coração.

Saúl Dias, in "Dispersos (Primeiros Poemas)"


Júlio Maria dos Reis Pereira o Poeta Saul Dias e o Pintor Júlio, uma trindade de excelência.
Só falei com ele uma única vez, mas bastou. Ficará indelevelmente gravada a conversa que tivemos no antigo Café Bica Italiana. Jamais esquecerei a premonição que me fez então.

«O burguês e a prostituta» quadro de Júlio.

terça-feira, maio 23, 2017

Que mal tem o Espírito Santo, meu Deus?!

http://www.record.pt/futebol/futebol-nacional/liga-nos/fc-porto/detalhe/nuno-espirito-santo-deixa-o-dragao.html

http://www.record.pt/futebol/futebol-nacional/liga-nos/fc-porto/detalhe/nuno-espirito-santo-deixa-o-dragao.html

domingo, maio 21, 2017

A ÚNICA SOLUÇÃO: DEUS!!!

DEUS AO PODER, JÁ!!!


Brasil é terra morena
terra boa, açucarada,
a corrupção é que ordena
e compensa... vale a pena,
toda a eleição é... comprada!


Quem ganha, paga a fatura
a quem apostou na gente
é gratidão da mais pura
a comenda, ou sinecura,
é a coisa mais frequente!

Ninguém dá nada a ninguém
tudo tem preço, afinal,
honesto, só Deus! porém...
orar, pode ser também
a "corrupção" divinal!!
!
Brasil tem fé, muita fé,
no Senhor do Corcovado
a Ele reza Pelé
ajoelhado ou de pé
quer ver seu Brasil curado!

Mas o Mal já não tem cura
alastrou, praga infernal,
o Mal... tem licenciatura!
há Mestres... nesta cultura
sumiu p'ra sempre... a moral!!!

Mas... Deus é brasileiro!
diz, confiante, o Povão.!..
ponham Deus lá no poleiro
distribuindo Ele o dinheiro
com rigor... e isenção!!!
josé m leite de sá

segunda-feira, maio 15, 2017

13 de Maio de 2017!!!



O dia treze de maio ficou marcado por três acontecimentos pouco vulgares: a visita do Papa francisco ao santuário de fátima, a vitória do Benfica no campeonato nacional de futebol, conquistando o tetra e a vitória no festival da eurovisão do português Salvador sobral, feito inédito que jamais havia acontecido!!!

O dia treze fica marcado pela positiva para todos os portugueses. Memorável e diria até quase milagre!









Tantas e tantas vezes ambicionamos o lugar de vencedor do Festival da eurovisão e agora, com uma música simples, sem coreografias espalhafatosas, sem grandes espaventos publicitários lá surgiu a vitória. foi a vitória da simplicidade, da genuinidade, do bom gosto...VER AQUI

Parabéns Benfica, parabéns Salvador sobral e parabéns Papa francisco pela visita e pela sempre saborosa mensagem de simplicidade, de simpatia e de rejuvenescimento que consegue transmitir. Indiferente às polémicas subjacentes ao fenómeno (sse foi "visão" se foi "aparição") o Papa cativa sempre e deixou-nos orgulhosos, a todos, crentes e não crentes...

sexta-feira, maio 05, 2017

FÉ: Negócio versus Espiritualidade






Fátima e a Fé

Fátima nos obriga a meditar
O sacro e o profano tão ligados
Verdades e ficções que dão lugar
Ao negócio da fé e... derivados...

Os vendilhões do templo existem, sim!
Já não vendem cordeiros nem pombinhas,
Vendem terços, imagens, ar, enfim,
Banquetes de palavras p'rás alminhas...

O efeito placebo anda no ar
Até no ar vendido e enlatado
A auto-sugestão pode curar!

Vender produto-fé, será pecado?
Boa ou má,  fé... quem vai fiscalizar?
Há que cuidar das regras de mercado!

sexta-feira, abril 28, 2017

Fundamentalismo activo em Portugal!!!







O fundamentalismo cresce em Portugal. Vêmo-lo por aí todos os dias. Nas televisões, nos jornais, nas praças públicas. Eles andam às claras, perturbando a ordem, insultando, agredindo destruindo patrimónios ...

Enfim, olhem para os comentadores desportivos e ponham uma barba longa e um turbante na cabeça e aí estão eles a lançar chamas na fogueira da conflitualidade, na trovoada de ódios permanentes. são eles os incansáveis e fanáticos defensores do profeta (o seu clube) os principais mentores disto tudo. Se há responsáveis morais, são eles, os profetas!
Os que actuam no terreno pela calada da noite ou à luz do dia são as marionetas habilmente manipuladas pelos ´profetas maquiavélicos que semeiam ódios, debitando decibeis carregados de instigações à violência de forma explícita ou implícita. Os Ayatollas nas mesquitas são a ignição para ataques e cenas sangrentas que resultam dos seus discursos inflamados e cheios de ódio ao chamado infiel (todo aquele que não comunga dos seus ideários), de igual modo, os discursos  e as agressões verbais permanentes (também entre dirigentes, sublinhe-se!) são a ignição para desacatos e cenas de violência gratuita contra infiéis (todos os adversários!) e os diabos (os árbitros) que funcionam como bodes expiatórios das derrotas...
A mística, quando exacerbada, quando se torna belicista, é a semente do fundamentalismo desportivo ; autênticos gangues, sem um resquício de civilidade, vândalos com olhar injectado de falsas coragens, almas excitadas pelo álcool ou por drogas,, novos átilas da era moderna, prontos a invadir Roma e saquear...

Portugal  está sacudido por hordas de fundamentalistas da bola. Paixão ou delírio,  mística que degenerou em tragicomédia, é preciso cortar cerce esta espiral de violência e de criminalidade antes que resvale para o pântano de guerra civil larvar...

Era urgente acabar com estes programas televisivos e criar outros: plantar flores, criar hortas, fomentar passeios pedestres, promover a comunhão entre o homem e a natureza.

As televisões, se não forem domesticadas, são elas próprias, a génese do caos que aí vem...

E para o culto da partidolatria, direi, mutatis mutandis,  a mesma coisa...

Pastorinhos de Fátima, se é que tendes  amor à terra que vos serviu de berço, pedi a Deus por nós, se não acabar este fundamentalismo, ao menos fazei que seja mitigado ou sublimado em algo mais positivo e construtivo!!!

NOTA FINAL: Nunca fiquei à espera do árbitro, depois do jogo, para o insultar! Nunca! já vi na TV cenas tão deprimentes que começa a ser ridículo e detestável levar a família ao futebol. De intimidação em intimidação vão destruir a beleza do desporto-rei!

segunda-feira, abril 24, 2017

Papa em Fátima


A vinda do Papa a 13 de Maio a Fátima terá impacto a diversos níveis. Mesmo os não crentes admitem que terá impacto positivo para o nosso país e até para as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo. Enfim, a religião é sempre um catalizador, gera sinergias, cria laços e pontes. Falo em religiões e não em fanatismos demenciais...

Havia um movimento contra a vinda do Papa. De pessoas católicas que não acreditavam no fenómeno Fátima. Agora tiveram o bom senso de se calarem pois era uma coisa demasiado insensata. Acreditando ou não no fenómeno__ e todos são respeitáveis, todas as opiniões devem ser levadas em conta__ contudo, procurar impedir uma visita é atentatório dos mais elementares princípios de cidadania.tolerância e respeito são valores que devemos ter sempre em mente.

Independentemente da verdade intrínseca (e tudo é questionável nesta vida: políticas, religiões, sistemas de ensino, doutrinas económicas...) há que dar liberdade a todas as manifestações desde que não colidam com os direitos humanos.

Seja bem vindo Papa Francisco! e que o "milagre" da tolerância e da convivência se multiplique urbi et orbi! 

A douta opinião do padre e professor de Filosofia ANSELMO BORGES merece séria e profunda reflexão. Aqui a deixo à consideração de todos, crentes e não crentes.


O que eu penso sobre Fátima (1)

Antes de entrar no tema propriamente dito, quero deixar três notas prévias, que devo ao leitor. A primeira, para dizer que, a pedido da revista internacional Concilium, escrevi, de modo mais organizado, um texto sobre Fátima, a publicar no mês de Junho. A segunda, mais importante, para esclarecer que fui ordenado padre em Fátima pelo cardeal Cerejeira e que, sempre que lá vou para fazer conferências, passo pela Capelinha das Aparições e ali rezo como tantos outros. Depois, à pergunta se vou a Fátima por causa da vinda do Papa respondo que não, porque não gosto de confusões e penso que os responsáveis da Igreja deveriam prevenir as pessoas, pois correm o risco de uma imensa desilusão, já que muitas dificilmente verão o Papa. Prestado este preâmbulo, o tema.
1. Deve ficar claro, desde o princípio, que Fátima não é dogma de fé. Que é que isto significa? Que se pode ser bom católico e não acreditar em Fátima. Fátima não faz parte do Credo. Outro esclarecimento mais urgente ainda: Fátima não ocupa nem pode ocupar o centro do cristianismo, o centro é Jesus de Nazaré, confessado como o Cristo, portanto, Jesus Cristo, e o Deus de Jesus e as pessoas, todas.
Aí está a razão por que, como disse a João Céu e Silva para o seu belo livro sobre Fátima, Fátima. A Profecia Que Assusta o Vaticano, eu trouxe a Portugal grandes teólogos, para congressos e colóquios, e não manifestaram interesse em ir a Fátima. De facto, Fátima não é propriamente uma questão teológica, é sobretudo uma questão de religiosidade popular. De imenso significado e que deve ser respeitada, sem dúvida alguma.
2. Para surpresa de alguns, confesso que não me custa admitir que as três crianças, os pastorinhos, tenham feito uma verdadeira experiência religiosa em Fátima.
Qualquer pessoa minimamente atenta, quer queira quer não, acaba por perceber que há um mistério no mundo. Fernando Pessoa dizia: olha para o lado e o mistério está lá (cito de cor), mas eu digo mais: ele está ao lado, em cima, em baixo, dentro, fora, em toda a parte. E todos somos confrontados com esse enigma e mistério e perguntamos: o que é isto?, qual é o fundamento de tudo?, qual é o sentido da existência?, para quê tudo? Crente é aquele, aquela, que se entrega confiadamente ao Mistério, ao Sagrado, esperando dele sentido, sentido último, salvação. Escusado será dizer que essa experiência e essa resposta confiada de fé surgem sempre interpretadas num determinado contexto existencial, pessoal, social, histórico, no quadro de pressupostos e expectativas, e na e pela sua mediação também.
3. As crianças também podem fazer uma experiência religiosa. E isso, repito, pode ter acontecido também em Fátima com aquelas crianças, os três pastorinhos. De facto, não consta que tenham sido pagas para dizer que viram Nossa Senhora; pelo contrário, até sofreram bastante. A própria Igreja, no começo, pôs muitas reticências.
Mas, acrescento, foi uma experiência religiosa, evidentemente, à maneira de crianças e no contexto histórico da altura: havia perseguição religiosa da Igreja por parte da Primeira República, estava-se em guerra (as crianças devem ter ouvido falar sobre a I Guerra Mundial e de como os soldados partiam para a guerra), e vivia-se no enquadramento religioso da época, que implicava as chamadas missões populares, com pregadores "missionários" que vinham de fora e, do alto dos púlpitos, aterrorizavam os fiéis com sermões de temor de Deus e terror do inferno. As crianças ouviam estas coisas na igreja e em casa.
Assim, tratou-se de uma experiência religiosa à maneira de crianças e segundo esquemas e uma imagética hermenêutico-interpretativa situada no seu contexto. Não se pode esquecer que a experiência religiosa se dá sempre dentro de uma interpretação, de tal modo que há experiências religiosas melhores e piores ou menos boas. A daquelas crianças não foi das melhores, pois pode-se, por exemplo, perguntar: que mãe mostraria o inferno a crianças de 10, 9 e 7 anos? Os pastorinhos ficaram marcados negativamente e, de algum modo, com a vida tolhida. Ao mesmo tempo, e isso é admirável, tiveram uma imensa generosidade face à situação que viviam.
Acrescente-se que aquele núcleo de experiência foi sendo submetido a arranjos e rearranjos ao longo do tempo, segundo novos esquemas interpretativos, no contexto de novas situações históricas e novos desenvolvimentos.
4. Perguntam-me: e eles viram mesmo Nossa Senhora? Maria, a mãe de Jesus, apareceu mesmo?
Aqui, é decisivo fazer uma distinção essencial. Entre aparições e visões. Uma aparição é objectiva, como, quando, por exemplo, estamos a conversar com uma pessoa e chega uma outra pessoa: os dois vemos a terceira pessoa que chega; se estivéssemos quatro ou cinco pessoas, seríamos quatro ou cinco a ver e a constatar a chegada objectiva desta outra pessoa. Evidentemente, não foi isso que aconteceu em Fátima e, neste sentido, é claro que Nossa Senhora não apareceu em Fátima aos pastorinhos. Se fosse uma aparição, todos os presentes veriam e constatariam a sua presença, o que não aconteceu nem podia acontecer, pois Maria não tem um corpo físico que possa mostrar-se empiricamente.
Tudo o que é espiritual é da ordem espiritual. Por exemplo, na Anunciação, não apareceu empírico-objectivamente nenhum anjo a falar com Maria. O que ela teve foi uma experiência místico-religiosa interior. Isso é uma visão, no sentido técnico da palavra: uma percepção interior. As grandes experiências são interiores e vão para lá do empírico. Afinal, a objectividade empírica não detém o monopólio de toda a realidade, da realidade mais verdadeira.
Padre e professor de Filosofia