quinta-feira, outubro 11, 2007

Igreja cultua o poder?!...

Bento XVI depois de mandar extinguir o limbo, será que vai mandar extinguir a confissão? Depois de ler este artigo (que já enviei por e-mail para o Vaticano)
talvez algo de inovador, no aspecto doutrinário e até na própria liturgia, possa surgir. Aquando da extinção do limbo também foi assunto alvo de muita polémica mas só teve uma saída digna: a sua extinção pura e simples!....



A Igreja católica ao longo dos tempos tem tido uma postura questionável no tocante às relações com o poder. O termo nepotismo, hoje muito em voga para catalogar certos comportamentos de alguns políticos, tem a sua origem num papa que colocava os seus sobrinhos (nepos...) em locais chave da administração, procurando dessa forma uma hegemonia e um crontrolo do poder.

É óbvio que a igreja já se penitenciou dos seus excessos. As prepotências e os crimes da Inquisição foram alvo de condenação pelo mundo civilizado. Contudo, a Igreja retracta-se a posteriori. Muitas vítimas da Inquisição morreram e ficaram com a sua reputação manchada e não receberam qualquer pedido de desculpas ou foram sequer reabilitadas por ela. Os danos perpetrados ficaram impunes, na época.

Agora, na Argentina, o padre Christian Von Wernich, sacerdote católico e ex-capelão da polícia de Buenos Aires foi condenado a prisão perpétua por crimes contra a humanidade. Dentre eles
destaca-se a colaboração activa em sete homicídios qualificados, 31 casos de tortura e 42 de privação ilegal de liberdade.

Segundo diversas testemunhas, provou-se que o sacerdote se oferecia para confessar os detidos com o objectivo de sacar informações e depois transmitia-as aos torturadores. Enfim, tão nefandos crimes deixaram um rasto de vergonha em todo o Episcopado argentino e mundial.

Vem a talhe de foice citar um caso ocorrido na Polónia em que um alto eclesiástico ao tempo da ditadura ( do general Jaruzelski, afecto a Moscovo...) dava informações à polícia secreta para que alguns cristãos fossem detidos e torturados.

Já era tempo de a hierarquia da Igreja católica repensar os moldes em que se pratica a confissão. No tempo de Cristo não tinha o carácter inquisitorial de que se reveste hoje (estes moldes são medievais e surgiram apenas aquando da implantação da Inquisição). Trata-se de algo de aberrante que ainda subsiste apesar dos abusos, das safadezas e das potencialidades nefastas que lhe podem estar subjacentes.

Já ouvi pessoas dizerem que os padres procuram junto das crianças saberem coisas que não são de sua conta, às vezes subtis formas de intimidação (sedução?) que resvalam não raro para a pedofilia (caso do arcebispo e alguns padres de Boston nos EUA). Por vezes fala-se em aliciação sexual descarada (mesmo a mulheres casadas) dando uma imagem muito negativa da própria instituição. Foi muito comentado o caso de padres, no continente africano (sobretudo) apanhados a seduzirem freiras através da confissão e usarem esse ascendente para as subjugarem de forma despótica.

Era tempo de Bento XVI dar uma varridela nestes modus operandi que não dignificam a prática religiosa. Eu próprio já vi um padre recusar a comunhão a uma senhora, de forma ostentatória, visando a humilhação pública da pessoa, não se coibindo de dizer publicamente a razão do seu acto!

Este comportamento que reveste um nítido abuso de autoridade (quem é o padre para saber se a pessoa está em pecado ou não?! Teria ido confessar-se a outra paróquia? Teria realmente o pecado de que ele a acusava?) e tem um notório pendor inquisitorial, é digno de meditação (bem profunda) por parte da Igreja católica. É óbvio que se a visada fose uma política ou uma presidente de câmara, o pároco não fazia aquela cena patética e humilhante.

Ainda há dias vimos na TV, um conhecido cónego, fazer nítida pressão sobre a justiça, num jantar de solidariedade a um empreiteiro bracarense acusado de corrupção em Lisboa, dando uma péssima imagem da própria instituição a que pertence. Casos destes repetem-se amiúde com padres a lamberem botas a autarcas, tantas vezes mais enlameados que hipopótamos na selva africana!

A Igreja deve tomar providências sobre tudo isto. A confissão é um notório resquício da Inquisição e nem no tempo de Cristo revestia este carácter medival!

Este caso da Argentina, em que o padre usava a informação colhida na confissão para servir o poder, um poder despótico, torcionário e terrorista, é lapidar e digno de meditação por todos, incluindo os doutores da Igreja.

Há que dotar a Igreja de uma nova doutrina, de um novo paradigma, mais virado para a ética e
para o saneamento cívico e deontológico do que para esta aberrante prática susceptível de execráveis aproveitamentos. Os padres hoje são-no, mas amanhã poderão deixar de o ser, deixarão de estar vinculados a determinados requisitos. Eles poderão até adoecer (doenças do foro psíquico ou similares...) dando azo a situações constrangedoras e a aproveitamentos aberrantes (assédios sexuais, chantagens, aproveitamentos políticos).

Como conclusão, importa referir que não se pode derramar sobre toda a Igreja a lama ignóbil que um ou outro dos seus elementos vão lançando; mas importa criar mecanismos de protecção da própria instituição, sob pena de haver uma generalização abusiva e aberrante desta prática, que é de facto uma praxis completamente iníqua.

Como exemplo citarei um despacho de Conselho Superior da Magistratura aconselhando os seus membros a não se envolverem no futebol, dada uma certa promiscuidade geradora de mal-entendidos e de suspeições. Ou seja, a mulher de César além de ser séria, deve também parecê-lo!

Da mesma forma que a magistratura deve estar ao abrigo de situações pouco dignificantes também a Igreja católica deveria criar uma protecção para situações similares. Na minha modesta opinião, a confissão nos moldes actuais, deveria ser extinta, para bem da própria Igreja, para salvaguarda dos seus membros e para defesa de todos os fiéis.

Enfim, "a mulher de César precisa de ser séria e de o parecer, também"!

NOTA: Este apontamento doutrinário foi enviado ao Santo Padre, o Papa Bento XVI.

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