rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo. O mundo e a sociedade sob o olhar atento e desassombrado de um cineasta do quotidiano, um iconoclasta moderno, sem peias, sem tabus, sem preconceitos.

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Penso, sonho, trabalho, amo... logo, existo!

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

O dilema do BCE





Enquanto a Reserva Federal aposta na descida da taxa de juro em ordem a revitalizar a economia, o BCE, expectante mas receoso de tensões inflacionistas (o preço do petróleo continua em alta preocupante) continua a manter a mesma taxa, muito embora haja pressões para a baixar face à valorização excessiva do euro, colocando empecilhos às exportações para mercados onde o dólar também entra em competição; a economia portuguesa mais virada para exportações internas (zona euro) também sofrerá pois diminuindo as exportações nos países-locomotiva, nós sofreremos por arrastamento, pois, sendo país periférico não seremos tão solicitados nesse sentido.


A economia chinesa e indiana (sobretudo) continuam a pressionar a subida do petróleo graças aos consumos cada vez maiores que vão exibindo, numa espiral preocupante. Poder-se-á dizer que o preço do petróleo (em subida) está «amortecido» pela subida do euro. Contudo, tal situação poderá ter reflexos negativos se a queda das exportações for acentuada.


A economia portuguesa (economia aberta, dependente da evolução das economias «centrais»), muito periférica e pouco competitiva (já esteve pior) corre sérios riscos.


As «deslocalizações» provocam uma subida no desemprego, quiçá «camuflada» pelo forte surto emigratório que se faz sentir cada vez mais. Há que olhar para o turismo como sector para o qual estamos vocacionados por excelência.


Por que não incentivar o golfe? Facilitando o surgimento de plataformas dinâmicas capazes de serem âncoras para um empreendedorismo multifacetado?


Por que não fazer um maior investimento em termos de marketing além-fronteiras? O nosso sol, os nossos costumes, a nossa gastronomia, são só por si factores de atracção não despiciendos.


Com uma economia estagnada (ou a crescer muito pouco) temos a construção civil a precisar de um empurrão forte: é um sector-alavanca que gera, quer a montante quer a jusante, uma multiplicidade de riquezas que não deverão deixar de merecer a atenção de quem governa.


Baixar impostos poderá não ser de todo impensável, muito embora se reconheça que há dificuldades em relação ao défice, há a possibilidade de com medidas bem coordenadas, criar um efeito propulsor no investimento que possa gerar mais receitas apesar do grau de incidência fiscal mais reduzido.


O país precisa de saír do marasmo. As empresas podem ser as principais vítimas deste neoliberalismo selvagem. A supervisão do Estado poderá ter o condão de fazer saír do atoleiro alguns sectores. o Estado não deve ser «desmantelado», deve, isso sim, ser redimensionado e racionalizado em ordem a cumprir de forma mais eficaz e com menos custos a sua missão.
Os mercados, de per si, não são a solução final. Há que usar medidas que possam minorar os efeitos nefastos de uma acção desregrada dos mercados.
O governo tem que estar atento a uma nova conjuntura externa que se vislumbra no horizonte próximo. As eleições americanas costumam trazer turbulências e, porventura, algumas vantagens potenciais para quem estiver atento.
As energias renováveis são aposta que deverá ter reflexos a médio prazo. Portugal, muito embora no bom caminho neste domínio, haverá de reconhecer que, no curto prazo, ainda é cedo para colher frutos. Assim, há que repensar o modelo seguido até aqui e tentar o «choque fiscal» agora, pois se o fizer daqui a uns meses, poderão dizer que é oportunismo eleitoralista, o alargar o cinto agora é medida a não desprezar. Se não for feito, poderão ser acusados de serem os governantes da oportunidade perdida. Sem perder o norte, há que ganhar a noção do sentido da oportunidade estratégica.
Oxalá José Sócrates tenha bons conselheiros nesta matéria. Para mim, que não tenho preferências partidárias, o mais importante é que o país vença. A oportunidade pode ser perdida por falta de visão estratégica, por amorfismo, por tibieza.













quinta-feira, fevereiro 28, 2008

QUEREM MATÁ-LO!! ACUSO EU!...


UMA JÓIA ARQUITECTÓNICA QUE QUEREM «DESMANTELAR»
Ao Bolhão querem dar a extrema-unção
Ou talvez eutanásia prematura;
Do Porto é bastião, nobre ancião,
'inda é cedo p'ra ir à sepultura!
Querem dar-te «injecção atrás da orelha»...
As senis criaturas sem respeito
Por esta antiguidade; sendo velha
É relíquia notória, sem defeito!
Requalificação, restauração,
É a mais acertada e digna opção;
Não façam no Bolhão mais um aborto!...
Há que deixar viver este Bolhão
Baluarte tão típico do Porto,
Merece viver mais!, nunca, ser morto!!!

Abril tão longe!... Maio (28) anda aí!...


Salgueiro Maia, um verdadeiro símbolo do Abril mais puro, deve pensar lá com os seus botões:
«Isto cheira a tudo menos a cravos!»
Cada vez mais se fala menos de Abril e de democracia, de transparência.
Voltou, rançoso e militarista (pela boca de um conhecido major...) o velho slogan que fez carreira no antigo regime: «Manda quem pode, obedece quem tem juizo!»
Era assim que a ditadura se impunha. Aos militares dizia-se: «Vocês não são para pensar, vocês é para agir, há quem pense por vós!»
Sem mais, desta forma canhestra e prepotente, não havia lugar a dúvidas nem a críticas ao status quo. Agora, regressa este modo de pensar, esta idiossincrasia estulta.
Mandante é (pressupõe-se) quem tem poder económico, quem tem dinheiro para dar prendas de alto gabarito.
«Obedece quem tem juizo!»
Traduzindo para linguagem comum, descodificando: quem não quiser passar por louco tem que obedecer cegamente aos superiores desígnios de quem se sente acima da lei, acima das próprias instituições, com impunidade total!
Agentes da judiciária, magistrados, agentes da PSP, tudo deve ajoelhar a seus pés se não quiser ter problemas. Qual espada de Dâmocles, a chantahem paira acima de todas as cabeças! Quem não vergar, leva!
Fazer o mal e a caramunha é a sua especialidade, o seu gozo supremo! Sempre a proclamarem-se vítimas disto e daquilo e, paralelamente, a espezinharem e enxovalharem quem ousar ser honesto e íntegro!
O «coitadinhismo» é usado com perícia, à custa de uma comunicação social servil e venal, que se coloca no lado errado, por interesse, por calculismo, por almejar vantagens futuras... na hora da vitória estão todos lá, como piranhas, degustando o burlesco ágape! Cretinos de alto gabarito! A História vos julgará! há sempre uma Nuremberga à vossa espera!
Usam e abusam de termos como «cabala», «conspiração», «perseguição». O seu léxico está prenhe de neologismos idiotas procurando incensar o que é digno de comiseração e de revolta!
Gente com sinecuras na comunicação social, gente medíocre, que talvez tenha subido não à custa do próprio pedalar, mas fazendo «meio-fundo», gente «empurrada» por «cunhas» e «tráficos» de toda a ordem... é hora de «pagar facturas», de ser grato, de lamber feridas infectadas pelo vírus da corrupção...
Enfim, toda uma «entourage» que serve de caixa de ressonância, de correia de transmissão, de «carpideira mercenária» sempre a chorar lágrimas fingidas...
Abril ainda não chegou.
O pove de Abril ainda não abriu os olhos. Maio, com a sua opacidade, o seu caciquismo renascido, qual Fénix imorredoira, está aí, pletórico de saúde, humilhando Abril.
Ai, como faz falta uma Primavera!

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Estado gordo e pesado versus Estado magro e ágil...

O Estado tem sido um dos cernes da questão. A velha questão da direita e da esquerda tornou-se obsoleta, desencantada, alvo de considerandos estereotipados.

Quer-se agora reduzir o peso do Estado e torná-lo mais ágil, mais pragmático, menos burocrático e mais leve.

Menezes fala até em «desmantelá -lo». Julgo que esta expressão é infeliz. Ele quis dizer certamente racionalizá-lo e torná-lo mais expedito, expurgá-lo das gorduras supérfluas e ser mais musculado.

Sócrates também quer diminuír o seu peso e reduzir a sua dimensão. Vemos as consequências negativas ao nível da saúde. Porquê?

Pura e simplesmente porque não houve articulação intersectorial e a problemática dos transportes e das acessibilidades não acompanhou a restante estruturação. Há medicamentos (terapêuticas políticas...) que podem ter efeitos colaterais nefastos.

No ensino há assuntos que estão a gerar polémica. Porquê?

A pretexto de se tornar mais eficaz e talvez menos onerosa a manutenção de um certo estabelecimento escolar, poderá estar-se a gerar falta de democracia interna e governamentalização. Ou seja: a colocação de um «elemento exógeno» poderá acarretar controleirismo partidário, governamentalização, afunilamento, caciquismo, prepotência.

Ao pretender-se diminuír o défice orçamental poder-se-á estar a gerar um outro: o democrático.

A democracia tem custos ninguém duvide. A ditadura é mais barata...
Todavia o viver em ambientes totalitários gera situações aberrantes que mais tarde ou mais cedo terão que ser corrigidas.

A saúde e a educação estão a sofrer transformações muito radicais e sem uma política global devidamente estruturada poderá ser pior a emenda que o soneto...

Estou a falar acima de qualquer preconceito ideológico. Não me sinto nem à esquerda nem à direita do governo. Sinto que há uma grande asfixia democrática e é preciso abrir janelas sob pena de a porta da rua ser o destino mais provável de quem governa...

domingo, fevereiro 24, 2008

Era uma vez um lobo-do-mar que o mar invejava...






Esse mar-cão mar-ladrão
esse mar maldito seja
levou o teu coração
porque dele tinha inveja
coração de mareante
só coragem e bravura
quase sempre triunfante
mesmo na luta mais dura
esse mar-cão mar-canalha
talhou de água o teu caixão
teceu a tua mortalha
esse mar não tem perdão
esse mar que te levou
ao teu último suspiro
com teu coração ficou
precisava dele, Miro
precisava da coragem
da robustez natural
coração à tua imagem
de guerreiro sem rival
à noite quando anoitece
'inda espero te encontrar
às vezes até parece
ver-te na praia a jogar...

sábado, fevereiro 23, 2008

Camélias em flor! Um mundo!




Exposição de Camélias na quinta de Vilar de Matos em Junqueira Vila do Conde.
Neste cantinho do céu, uma paisagem luxuriante onde a linguagem das camélias nos convida ao diálogo fecundo, pode ver-se uma das maiores colecções de camélias (mais de 1400 variedades) do mundo. Local muito visitado (até por TV's nipónicas) é um ex-libris da Junqueira.
O seu proprietário, Paulino Curval é a sabedoria em pessoa. Já na casa dos setenta, ele ostenta um fulgor e uma vivacidade ímpares. Fala com estes seres vivos maravilhosos a quem dedica uma afeição sem limites. A paixão pela natureza no seu grau mais elevado, a orgia de um verde que se casa magnificamente com o azul cobalto do céu, fazem deste local paradisíaco uma das «maravilhas do planeta»!
A caminho do Guiness (tal a diversidade e quantidade de exemplares) é um orgulho para todos nós que amamos a natureza e cultivamos o ambiente. Enfim, só visto!
CAMÉLIAS EM FLOR!
Tantas camélias em flor
Um sortilégio, Deus meu,
Um hino à Paz, ao Amor,
Réstea do céu, direi eu...
O sol abrindo os seus braços
Com ternura redobrada
Estende os seus raios-laços
Numa paixão acendrada.
Esta volúpia-natura
Às camélias dá mais viço
Junqueira, de alma tão pura
Terra-flor, terra-feitiço!
Camélias em flor serão
Nesta terra uma bandeira
No inverno «reinarão»
Nesta tão linda Junqueira!
Camélias são verde esp'rança
Neste mundo-crueldade...
São sementes de bonança
Quando impera a tempestade!

Figurões de Abril: o arrivista!...

Na galeria de Abril vemos amiúde figuras- padrão que são estandardizadas e englobam perfis bem demarcados. Ao analisarmos um , somos capazes de , por extrapolação psicológica, avaliarmos o seu comportamento face a determinados circunstancialismos. São protótipos.

O chicoesperto, o cristão-novo, o populista, enfim há toda uma parafernália de tipicismos que importa equacionar e escalpelizar com minúcia. Há-os para todos os gostos.

O arrivista é uma dessas aves raras que nos surgem de rompante, cheias de optimismo forçado, arreganhando os dentes de forma triunfalista, prometendo amanhãs que cantam com a prosápia de um vendedor de ilusões que se preze.

Ele não olha a meios para atingir os seus fins. Calca tudo e todos para atingir o topo. Lambe as botas aos que estão acima e pontapeia todos os que estão abaixo numa suposta hierarquia que ele cria na sua volúpia trepadora. É o alpinista hierárquico por excelência. Sabujo, servil, sujeita-se a figuras caricatas para atropelar mesmo aqueles a quem declara ser «preclaro amigo»...

Gosta de aparecer na rádio, nos jornais, dá tudo para uma entrevista nem que seja no boletim da paróquia, o que é preciso é protagonismo, para ser falado, ser fonte de admiração...

Usa termos rebuscados, quando bota faladura na rádio, nem parece o mesmo do café, do clube, da rua. Gosta de evidenciar a sua fabulosa cultura, as suas viagens aos confins do mundo, a sua verborreia assume contornos patológicos.

Põe-se em bicos de pés por tudo e por nada. Fala sobre todos os temas com a eloquência de um lente, de um erudito pau para toda a colher: música, filmografia, literatura, enfim, de tudo é perito, especialista nato. Um generalista por excelência e especialista no que calhar...

Tem pena dos outros: dos que nada sabem, dos ignaros parceiros de café com quem é obrigado a conviver...dos que não estão à altura da sua tertúlia cheia de «nível»...

O arrivista sabe tudo e conhece toda a gente, os seus pecados, as suas frustrações, as suas motivações profundas. Aos mais velhos chama caducos, senis, ou como tendo o prazo de validade nos limites, enfim, uns trapos que nem para limpar o pó servem. Ele sim, é a jovialidade e o dinamismo em pessoa. Um portento de juventude e de optimismo. O sorriso sempre afivelado dá-lhe um ar patético, artificial, idiota, mas julga-se o maior, o mais popular, o mais-que-tudo. Os outros são impotentes, medíocres, cinzentos, ele não, é o clímax , a eloquência, o brilhantismo em pessoa...

Ele anda por aí, anda a prometer coisas que não pode dar, mas nem olha para os telhados de vidro que tem e que poderão fazer ruir o castelo megalómano que foi engendrando nos interstícios do seu super-avantajado ego. Ele não sabe que há muita gente que sabe mais do que ele alguma vez imaginou ser possível saber-se...

Enfim, uma rã que quer ser boi... mais uma a ter o destino das que o antecederam... tão bom em tudo... menos em humildade! que pena!

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

A parábola do carro em segunda mão...

Jesus Cristo caminhou sobre as águas...
Luís Filipe Menezes caminha sobre um mar de contradições...



Qual o milagre maior?!



Vale a pena ler. Está no JN de 20/2/2008, na última página.Com a verrina que lhe é peculiar o poeta M.A.Pina , a dado passo da sua crónica reza assim:

«Assim, comprei há uns tempos ao "Expresso" um carro em segunda mão a Luís Filipe Meneses, segundo o qual, chegado ao governo, ele desmantelará o Estado em seis meses. Ora ainda a garantia não expirou já está ele a vender-me outro, no DN, igualmente em perfeito estado de consevação, assegurando-me que, consigo no governo, "não fechará nenhum serviço público".»

Enfim, uma paródia bem conseguida, uma parábola digna de um Jesus Cristo da era moderna!

O país está cheio de vendedores de carros em segunda mão. Sobretudo políticos da nova vaga.
Esta análise, se fosse feita por um conhecido presidente de câmara (que é médico), talvez assumisse outros contornos. Talvez dissesse que este comportamento (de LFM) é «esquizofrénico»! hoje diz uma coisa e passado pouco tempo, diz o seu contrário.

Enfim, tipicismos de doença bipolar. Mas, eu diria que talvez haja outra explicação...

Será que Menezes atravessou (tal como S. Paulo, na antiguidade...) a «estrada de Damasco»?!

Talvez, quem sabe? Como são insondáveis os desígnios de Deus para levar as almas transviadas ao caminho certo, ao rumo verdadeiro, ao trilho da redenção...

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Honrosas excepções

Dr Guilherme Oliveira Martins

Presidente em exercício do Tribunal de Contas


Habituados que estamos a ver proliferar o compadrio e o nepotismo, quantos vezes abrigados pela asa protectora de um partido (daí a acusação de partidocracia) até se estranha quando surge alguém a emergir da sombria realidade a dar uma aragem de isenção e verticalidade.
Quando foi escolhido para ocupar o lugar prestigiante que agora ocupa foi acusado de ter pouca isenção e poder favorecer o partido donde vinha militando (o PS).
Agora, ao assistirmos ao «chumbo» do TC no tocante a um vultuoso empréstimo para pagar dívidas herdadas pelo executivo da câmara municipal de Lisboa (onde preside o socialista António Costa) não deixa de ser curioso fazer uma retrospectiva e avaliar quão infundadas eram as reservas apontadas.
Afinal, habemus Isenção!

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Regabofe bancário: 5 milhões de lucros diários!

Enquanto ao comum dos cidadãos é exigido um cada vez maior aperto do cinto, com impostos e mais impostos, privações e coimas a rodos, a banca navega «num mar de contentamentos».

Será que há equidade neste país de brandos costumes? Será que estamos todos a trabalhar para um bezerro de oiro chamado banca? Porque será?

Será que a banca investe nas campanhas eleitorais? Será que políticos e ex-políticos entram nela para saciarem a sua gula cobrando-se eventualmente de «facturas» anteriores? Será que há promiscuidade entre os poderes políticos e as administrações bancárias? Será que a economia está anémica por causa do excesso de dadores-cumpulsivos para o «banco de sangue» chamado banca?

Há que repensar este furacão que aspira fluxos fiduciários com a voracidade de um Katrina e nos deixa cada vez mais exangues, mais anémicos, mais deprimidos...

Estaremos num democracia ou numa bancocracia plutocrática?

Os senhores economistas que não estejam comprometidos com esta «rede bombista» («bomba» no sentido de motor aspirador monetário e não engenho explosivo...) digam de sua justiça e salvem este país que mais parece um pobre diabo apanhado por uma gigantesca piton, que só vê cifrões no seu radar visual...

Democracia não é império da mentira!

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Novo rumo para a democracia!







No presente a partidocracia impõe as suas regras...







Sá Carneiro nos alvores da democracia usava a pedagogia como caldo de cultura democrático. Dizia então:«Acima da social-democracia há a democracia...»










Hoje em dia, quanto um forte temporal partidocrático varre o país de lés a lés, tendo alguns picos em locais bem demarcados, é bom recuar no tempo e ouvir a voz da pedagogia.


Sá Carneiro, um dos pais da nossa democracia, sabia «despir» a roupagem partidária e assumir-se como estadista, como democrata de corpo inteiro; com o escalpelo da palavra ele sabia ir ao fundo das questões, escalpelizar os assuntos mais melindrosos; quando um comunismo com tiques totalitários mostrava a dentuça arrogante, ele, sereno e altivo, mostrava a sua formação pedagógica e dava lições. Um senhor no marasmo ideológico reinante. Um pensador autêntico!


«Acima da social-democracia há a democracia!» E, acima da democracia, a pátria! Era algo que brotava com espontaneidade como uma fonte de água pura e transparente alimentando a sede democrática que todos sentiam.


Quando a ditadura do proletariado impunha os seus cânones e um controleirismo cego, ele abria uma avenida de liberdade autêntica, um caminho de justiça e de tolerância. Foi barbaramente assassinado mas a sua mensagem há-de perdurar. O seu sacrifício não foi em vão!


Há que refundar a democracia e erradicar esta partidocracia economicista que nos atira para a cauda do pelotão europeu. Há que denunciar publicamente este aparelhismo mafioso que tudo controla e tudo abocanha sem respeito por ideias ou projectos vindos das oposições.


Digo isto para os social-democratas estilo Jardim mas também para os socialistas de igual estirpe. O «esterco ideológico» é similar, doa a quem doer.

Que democracia é esta em que um presidente da AR (Mota Amaral) se permite dizer que os inquéritos parlamentares não servem para nada, são tempo perdido?


E falava verdade! Os deputados estão «acorrentados» ao tronco partidário como os escravos quando eram brutalizados pelos «sinhozinhos» lá na sanzala brasileira! Não são capazes de um resquício de independência. E, quando o são (veja-se o caso de Manuel Alegre, actualmente) são logo apodados de ambiciosos, de querem fundar partidos, de quererem protagonismo fácil...


Não há fiscalização possível numa AR em que um partido tem maioria absoluta . Como estão as coisas actualmente. Nas AM's, mutatis mutandis, a música é idêntica!


Veja-se agora esta forma de gerir as escolas com alguém «vindo de fora», será um homem do aparelho, um controleiro puro e duro a servir de correia de transmissão do governo?
Estar-se-á, a pretexto de «reformular», a enterrar a democracia escolar, caminhar-se-á para a governamentalização das escolas? Será que o combate ao défice orçamental exige a criação de um novo défice, o défice democrático?!
O país precisa de saír deste atoleiro. Uma democracia autêntica faz falta. Cada um de nós, com uma reflexão séria e desinibida, deverá ser o protagonista. Que ninguém se demita dessa missão. O país precisa de nós! todos nós!


Saúde pública, um bem a preservar...


A saúde pública é um bem que importa preservar a todo o custo. Isso, por vezes, nem sempre é fácil: não enche o «olho» ao eleitorado, não dá oportunidade para um corte-de-fita, não possibilita o banho de multidão que alguns tanto anseiam para tirarem «nódoas» de outra índole...
Mas é algo de prioritário, algo de preocupante se não for tido em conta numa política integrada de desenvolvimento de uma terra, de uma região, de um país, de um continente.
Vimos as preocupações com o H5N1 (vulgo gripe das aves...), vemos alguns focos de meningite a gerarem preocupação no universo escolar, assistimos a casos de epidemias provocadas por faltas de segurança (ou aviso atempado), assistimos à publicação de legislação destinada a evitar o fumo passivo em certos locais, vemos publicitação de alertas para o uso do preservativo nas relações sexuais, enfim, há todo um arsenal de medidas profiláticas destinadas a prevenir situações de perigo iminente ou risco óbvio.
Mas... e há sempre um «mas» incómodo nestas coisas, esses alertas por vezes causam danos colaterais: na economia, na imagem de certos políticos, no turismo, no comércio...
Há quem prefira a política de avestruz à da transparência. Há quem seja pela opacidade à outrance com medo de perder apoios, de ser censurado publicamente, de ser considerado imprudente, mau gestor, perdulário, medíocre...
Mas a saúde pública não pode estar à mercê dos caprichos de um qualquer caudilho medroso ou defensor de interesses inconfessáveis, não pode ficar refém de economicismos de pacotilha que são sempre maus conselheiros. Há que defender a saúde contra os corporativismos mais doentios, contra os predadores sociais, contra os mercenários egocêntricos.
O bem comum deve estar (nem sempre está) acima de clientelismos balofos ou de farisaicas protecções a grupos de pressão ou argentários «tutores do poder político». Doa a quem doer.
Certas localidades devem ser expurgadas de proteccionismos insensatos à incompetência e ao arbítrio. Os responsáveis em última instância devem ser chamados à responsabilidade por actos e omissões. É a cidadania em acção.

domingo, fevereiro 17, 2008

Racismo, o monstro sempre presente!



O «virus» do racismo nas relações Barack Obama George Bush


Conta Barack Obama na sua autobiografia que a primeira vez que foi recebido na Casa Branca por George Bush, este, depois de o cumprimentar pediu uma toalha a um assessor para limpar as mãos. Depois fez um comentário acintoso: «isto é para evitar alguma gripe...»

Apesar de na teoria se dizer anti-racista, na prática é-o. Apesar de ter colaboradores negros (só para americano ver...) ele hostiliza adversários de forma indelicada, vincando a cor da pele como forma de os amesquinhar. Subliminarmente o «vírus» da gripe era uma forma de se referir ao «virus» racista.

Enfim, Bush manipula de forma idiota o preconceito racista. Bush manipula o eleitorado como um «frei Tomás» perito na arte da hipocrisia. Bush, venceu várias eleições mas na prática nunca convenceu os americanos. A sua prática foi populista, o seu modus faciendi foi arrogante e prepotente, a sua conduta sempre pautada pela imbecilidade de gaffes sem conta. Enfim, tal como Richard Nixon, mais um republicano idiota, sem deixar marcas indeléveis positivas no tecido socioeconómico, sem aproveitar todo um potencial financeiro para conduzir a América a um estádio desenvolvimentista salutar e harmonioso. O clima foi tratado de forma irracional, não sancionou Kyoto, não cuidou do futuro em termos de energias alternativas, não dinamizou a economia, meteu-se num beco sem saída chamado Iraque, de uma forma ingénua e irresponsável. A História, essa juiza incorruptível, julgá-lo-á com severidade.

O racismo no seu carácter é apenas um epifenómeno, mais um condimento para tornar ainda mais intragável a sua conduta. Mas... há tantos Bush por aí, meu Deus... ele teve apoios incondicionais em todo o mundo. Ao «cheiro» a petróleo responderam muitos idiotas uteis...


A propósito de «virus racista» este conjunto de quadras populares, que tinha guardado na gaveta, vê agora a luz...


O preconceito racista
Anda aí por todo o lado
Restos do monstro fascista
Que ainda não foi enterrado.

Sintoma de vilania
De arrogância desprezível
Racismo é patologia
De gente reles, sem nível.

Discriminação racista
Vemos a torto e a direito
Há sempre quem não resista
A exibir o preconceito.

Mudar as mentalidades
Provoca desilusões
Há quem proclame igualdades
Mas... não pratique os sermões...

«Frei Tomás» sempre presente
Ao racismo diz que não,
Mas, por vezes é frequente
Não praticar a lição.

Vamos dar as mãos, falar,
E o preconceito banir
A palavra «segregar»
Devemos sim, excluír.

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DARFUR, a vergonha das vergonhas!

A palavra solidariedade onda tão arredia...
Há quem confunda solidariedade com lambebotismo a corruptos eventualemente caídos em desgraça ou com cumplicidades na gestão da coisa pública. Estilo: dás-me votos dou-te subsídios, dás-me o teu apoio político, dar-te-ei compensações financeiras adentro das possibilidades que uma gestão obscura e pouco escrupulosa pode proporcionar.
Vemos jornalistas incensando corruptos notoriamente envolvidos em escândalos dos mais bizarros, gastando cera infinda com tão ruins defuntos, mas sem tempo nem espaço para a injustiça social mais gritante que todos os dias nos bate à porta. É mais fácil ouvirmos um padre na homilia dominical verberando um eventual «insulto» sobre um qualquer caudilho, quando na maior parte dos casos é o direito à indignação a funcionar em plenitude, do que uma crítica ao aumento do desemprego, às fraudes monstruosas no sector bancário ou na gestão danosa de recursos públicos.
É a lei da hipocrisia a funcionar. É a lógica das cumplicidades-compadrios a ser confundida com solidariedade autêntica.
DARFUR continua aí, cheia de pecados, plena de vítimas inocentes carregando a pesada cruz da inconsciência de uns tantos e a negligência de um universo onde impera a hipocrisia e a lei do mais forte. Se lá houvesse muito petróleo lá estariam americanos ingleses bem artilhados prontinhos a defenderem os direitos humanos.
Infelizmente tudo continua a leste desta monstruosidade. Os media deleitam-se a comentar as últimas da Floribela, da Lili Caneças ou do Cristiano Ronaldo, esquecendo este problema gravíssimo que envergonha toda a humanidade. Como seres humanos devemos solidariedade autêntica uns aos outros.
Admiro aqueles missionários que deixando as suas famílias, lá vão, por terras inóspitas deixando a saúde e a sua solidariedade a gentes deixadas à sua sorte, em ambientes inóspitos, onde o sectarismo religioso ou o ódio tribal são aproveitados por traficantes de armas para saciarem a sua cupidez elevada ao extremo.
DARFUR continua a precisar da nossa voz, do nosso empenho, da nossa solidariedade. Era bom que todos os jornalistas dessem um pouco de atenção a este fenómeno que é uma vergonha para o homo sapiens, um insulto a esta sociedade que se diz civilizada mas que continua empapada de sangue de inocentes vítimas de malfeitores sem escrúpulos que vivem no luxo e na opulência à custa da desgraça alheia. A droga, as armas, o tráfico de seres humanos são leit-motivs subjacentes a toda esta miséria que vai amortalhando uma sociedade hipócrita e sem sentido da dignidade.
Os jornais e as TV's deixem um pouco essa alienação cor-de-rosa em que mergulham e olhem de frente este problema. O mundo está cheio de problemas graves e há uma campanha para o silenciar. Há obscurantismo institucionalizado. Há desprezo absoluto pelos direitos humanos.
Por favor olhem com atenção para DARFUR e lutem com todas as forças para a erradicação deste flagelo. Todos somos culpados, pelo nosso silêncio, pela nossa cobardia, pela nossa falta de solidariedade.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Verdades Intemporais...



O «reinado» de Bush está prestes a terminar mas ainda é cedo para se fazer um balanço sobre os danos causados pelo seu hiper-belicismo. Líderes impulsivos e coléricos há-os em todo o lado. Gente que se arroga de uma coragem acima da média, mas, na prática, de uma insensatez estulta, de um exibicionismo de força (não própria, pessoal) tão ridículo, de um potencial bélico à disposição para encher de medo o mundo inteiro, é gente sem nível. «Nível» segundo o critério das gente comum, com senso comum. O «medo» gera o ódio, a retaliação, o bomerangue que atinge patamares alucinatórios. Como ora se vê no Iraque.

Faz lembrar alguns «tigres de papel» que temos por cá. Sempre a exibir «coragem», «força», num autoelogio pindérico mais digno de comiseração do que outra coisa. São esses «corajosos» que se servem de «jagunços», de «testas-de-ferro», de homens de mão que mais não são do que criados para todo o serviço, que dão cabo dos países. Hitlers há-os em dimensão reduzida ou formato mais amplo, depende da margem de manobra ou da entourage proteccionista...

Prefiro a coragem dos pacifistas. Dos que sabem ser fortes contra os fortes e tolerantes para com os mais fracos. Esses, mercem o meu aplauso incondiconal. Os pavões, os façanhudos palavrosos sem ponta por onde se lhes pegue não passam de idiotas!!!

A minha homenagem aos simples e aos pacifistas. Este poema lindíssimo de António Aleixo durará para a eternidade! Ei-lo:


As águias de hoje, na guerra
Com os seus golpes traiçoeiros
Queimam os pastos da terra
Morrem de fome os cordeiros.

Da guerra os grandes culpados
Que espalham a dor na terra
São os menos acusados
Como culpados da guerra.

O oiro, o cobre e a prata
Que correm p'lo mundo fora
Servem sempre de arreata
P'ra levar burros à nora.


Que o mundo está mal, dizemos,
E vai de mal a pior;
E, afinal, nada fazemos
P'ra que ele seja melhor.

Se os homens chegarem a ver
Por que razão se consomem
O homem deixará de ser
O lobo de outro homem.

Só quando a hipocrisia
Caír do seu pedestal
Nascerá, dia após dia,
Um sol p'ra todos igual.

Talvez paz no mundo houvesse
Embora tal não pareça
Se o coração não estivesse
Tão distante da cabeça.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Ironia da infalibilidade papal!


Segundo João Paulo II :« o inferno é um estado de ausência total de Deus!»







Segundo Bento XVI :« o inferno existe num local concreto!»
Ambos infalíveis, qual deles o será mais?!
Diz um papa que há inferno
sítio mau, negro cenário
com satã e fiéis seus
um papa menos moderno
afiançou o contrário:
«completa ausência de Deus»!
Santa infalibilidade
ambos com sua razão
nem ousarei contestar
ser verdade ou não-verdade
singular contradição
só temos que acreditar!
Deus está em toda a parte
outra verdade infalível
no inferno também está
seja na lua ou em marte
o inferno é impossível
pois lugar sem Deus não há!

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

«Correntes d'escrita» na Póvoa de Varzim



Na esteira do que já vem sucedendo há uns anos, a Póvoa recebe escritores de expressão ibérica para uma saudável comunhão. Se bem que contestado por alguns este evento tem algumas virtualidades que importa destacar:

1- Fomenta um certo tipo de turismo que poderá trazer mais valias futuras para a terra.

2- Dá uma imagem de cultura e apreço pela literatura a um executivo muito desgastado por certas perseguições políticas a adversários, usando pretextos de lana caprina.

3- Faz incutir nos cidadãos o gosto pela literatura e pela escrita podendo até despertar vocações numa terra com tantos pergaminhos neste domínio.

4- Dá oportunidade e visibilidade a uns tantos que, sem isto, não veriam os seus talentos reconhecidos.

Enfim, talvez não arraste multidões como o fazia o carnaval nos tempos do Dr Manuel Vaz, com aquele tom abrasileirado que atraía sempre muito público. Talvez não tenha um impacto imediatista, mas, quem sabe, a longo prazo, os escritores possam fazer divulgar a terra nas suas obras e isso traga dividendos turísticos e possa alçapremar a Póvoa a patamares culturais mais sofisticados.

A presença do prof. Marcelo Rebelo de Sousa é também uma mais valia pois é consabido o seu poder divulgador em termos literários, e a sua iniludível capacidade oratória.

Oxalá se conjuguem esforços para que haja um efeito multiplicador (cultural, turístico, comunicacional) tradutível em sinergias potenciais a todos os níveis.

E que o astro-rei, outro convidado de eleição, faça enaltecer as belezas naturais e humanas de tão bela cidade. A Póvoa de Varzim, a sua gente hospitaleira e briosa merecem-no.

Premonição certeira

Um dia encontrei-me com o Dr Fernando Brochado Coelho (já falecido) à saída do tribunal de Póvoa de Varzim. Era ele presidente da comissão política do PSD (Porto) e eu vice-presidente de uma concelhia. Afirmou-me então: «Isto do futebol é uma galinhas dos ovos de ouro que começa a ter força demais. Vai ser muito difícil acabar com certa promiscuidade que se instala entre ele e o poder local.»

Já passou cerca de um quarto de século após esta judiciosa afirmação. Está aí em todo o seu esplendor o caos instalado. Aos poucos foi apodrecendo o tecido ético que cobria o corpo judicial, foi ganhando foros de autêntica epidemia e alastrou um pouco por todo o país. Uma espécie de gangrena ou até cancro. À sombra do proteccionismo ao futebol praticaram-se barbaridades sem conta, proferiram-se afirmações eivadas de demagogia e de oportunismo, houve quem criasse aura de taumaturgo com os seus actos «heróicos» em honra do dito cujo.

Há de facto uma teoria de que o futebol é intocável. Quem criticar alguma ilegalidade ou algum excesso de prodigalidade é logo acusado de falta de «amor à terra», de falta de «bairrismo». Os mecenas aparecem travestidos de autarcas-modelo, criando a ideia de que o futebol é a imagem da terra, é a «alma» da localidade. À sombra desta ideia tudo se pratica, até as maiores barbaridades, os projectos mais megalómanos. Quem criticar é logo apodado de «invejoso», «maledicente», quando não coisas bem piores...

Fernando Brochado Coelho está para o PSD como Salgueiro Maia para o 25 de Abril. A humildade em pessoa, o trabalho de sapa em prol do engrandecimento do partido e sem ambicionar mordomias, sem querer protagonismos de qualquer espécie. Um social-democrata na mais pura acepção do termo.

Hoje em dia vemos petulantes sem um resquício de cultura democrática arvorados em paladinos da liberdade, em sacrários de honra e bom nome, mas, lá dentro, apenas petulância, chicoespertismo, arrivismo puro e duro. Sá Carneiro tinha os seus caprichos mas era um democrata em termos de ideologia. Era um pensador com bagagem e um intelectual de elevado gabarito. Cavaco Silva muito embora mais limitado em termos culturais, intuiu muito do sentido de Estado que era timbre de Sá Carneiro, alcandorou-se a um patamar mais elevado em termos mediáticos por causa da sua longa permanência no poder, mas está uns côvados abaixo da craveira intelectual do Dr. Francisco Lumbralles de Sá Carneiro.

Brochado Coelho intuíu com argúcia o plano inclinado para onde ia descambando o futebol luso. Ele adivinhou este desfecho inglório em que casos como o Apito Dourado são apenas epifenómenos que emergem no charco da mediocridade. Parte visível do grande icebergue...

Há alguém que tem qualidades para ser um futuro líder do PSD com cabeça tronco e membros.
Não, não é o prof Marcelo Rebelo de Sousa (que tem mais pose de presidente da República...), e se mete a tocar demasiados instrumentos. Trata-se do Dr Pacheco Pereira. Ele tem da social-democracia um conceito austero e lúcido, ele possui aquele grau de intuição política que define os líderes autênticos, ele tem a coragem de ser impopular quando o superior interesse da nação assim o exige. E não cede à chantagem do polvo-futebol, não abdica dos princípios que enformam uma social-democracia feita para servir um povo inteiro e não uma clique de petulantes bem enfatuados e mais vocacionados para desmantelar o que chamam de Estado para erigir no seu lugar um bezerro de ouro simbolizando as virtualidades de uma iniciativa privada habituada a sacar do erário público a pretexto de o «emagrecer»...

Só tem um defeito. Uma mácula que lhe retira votos e dá um ar demodé: usa barba!

Mas que ninguém duvide: com ele ao leme o futebol iria para o lugar de onde nunca deveria ter saído. Em vez de ser o sorvedouro número um do erário público, poderia ser um desporto de massas, sim, mas sem os excessos que ora se verificam. Há que corrigir esta loucura colectiva em que tantos foram engendrando, ao longo dos anos, para engordar meia-duzia de arrisvistas que se calhar nem um penalty sabem marcar...

Não há quem goste mais de futebol do que eu; mas do autêntico, do puro, do genuíno... o futebol do povo!

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Magistrados VS Futebol... a velha questão da mulher de César...




O presidente da associação sindical dos juizes portugueses, Dr António Martins, vem, tal como outros já o fizeram noutros contextos, alertar para a necessidade de incluír no Estatuto dos Magistrados Judiciais (em revisão) uma proibição (incompatibilidade) no sentido de evitar a possibilidade de magistrados serem devorados pelo furacão-futebol. O clima que todos sabemos aí se respira é de tal ordem pernicioso que a presença de magistrados poderá ser perniciosa.
Há quem argumente que a presença de magistrados confere outra dignidade e outro saber. Mas, com argumentos não despiciendos, há quem faça análises contrárias.
Ora, na esteira do processo Apito Dourado, há quem dê mais força ao primeiro argumento. A mulher de César vem sempre à baila nestas questões de certo melindre. E há que defender a classe de possíveis ensombramentos resultantes de um fenómeno que alimenta polémicas sem conta, fanatismos doentios, e, onde a isenção é tão pouco frequente.
Neste momento há dois magistrados na comissão disciplinar da Liga (Dr Jacinto Meca e Dr Jorge Santos). Não está em causa a sua probidade, a sua honra ou a sua independência. Mas por medida cautelar a classe deve evitar expor-se num âmbito de alto risco, num contexto altamente efervescente, num clima por vezes alucinante.
Como cidadão fora da esfera judicial, mas atento ao fenómeno justiça, um dos pilares de uma verdadeira democracia, aplaudo incondicionalmente esta iniciativa de alto valor cívico.
Por situação análoga também entendo que deveria haver uma directriz (oriunda da hierarquia da Igreja Católica) no sentido de evitar que padres se envolvam na esfera desportiva ou política.
Porquê?
Porque a clubite aguda e a partidarite estão a minar a credibilidade das instituições, porque há fanatismos tão hipertrofiados que descambam para o descrédito de quem se envolve nestes domínios. Padres (tal como magistrados) devem ser preservados para ostentarem uma imagem de independência e de isenção face a estes fenómenos de quase patologia social.
A bem deles próprios, entenda-se.
Sei bem quanto custa ser isento. Procuro sê-lo, mas, tantas vezes me interrogo se não estarei mais à esquerda ou mais à direita do que seria o ponto de equilíbrio. Admito falhas nesse propósito. Não é fácil sermos totalmente isentos.
Quando se desempenha uma missão como ser magistrado (ou ser padre) aí a importância de ser isento ganha maior relevância e acuidade. Eles estão mais expostos à censura pública.
Dirão alguns que isto é limitar a liberdade. De facto é. E por vezes é preciso limitá-la para autodefesa, para que se possa proteger a Pólis do perigo chamado fanatismo.
Acho que a Igreja deveria fazer uma pastoral para evitar situações caricatas como as que se passam na Madeira. Que moral terão os bispos e/ou padres para criticarem o poder político quando este se torna excessivo e prepotente, quando, por trás da cortina, ele dá mordomias exorbitantes à «corporação clerical»?
Julgo que na Madeira há um caldo de cultura propício para se analisar este fenómeno que tem contornos quase patológicos. Ali, a democracia precisa de uma terapêutica de choque. Não que os magistrados ou padres precisem de electrochoques (longe vá o agoiro...) mas há que reconhecer certas aberrações que radicam precisamente na falta de isenção de magistrados e de padres .
E quantas «Madeiras» não há por este país fora?!

domingo, fevereiro 10, 2008

Abril criança-alegre, Abril criança-desencantada...







A ilusão e a desilusão...
Abril foi um mar de esperança que se soltou, o sol da liberdade aqueceu ânimos e alimentou muitos sonhos. A realidade que agora respiramos, muito embora diferente de uma ditadura, tem tiques que são ainda resquícios do passado. Há afloramentos perigosos em vários domínios que dão azo a comentários pouco abonatórios.
Há que corrigir os excessos e adequar o rumo. Há que modificar práticas que são antecâmaras de favoritismos e que estão na génese da injustiça social gritante que ora se vive. A par da miséria e do viver precário mora a opulência e o fausto, quantas vezes sugados ao erário público, quantas vezes fruto de cambalachos bem urdidos e cozinhados nos bastidores; quando isso é denunciado já é tarde ou torna-se irreversível pois é facto consumado e a justiça não tem (e pelo caminhar das coisas continuará sem ter...) mecanismos correctores..
No olhar de uma criança
há o sol sempre a brilhar
permanente mar bonança
que é a vida a despertar
esse olhar tão virginal
respira felicidade
será frio, glacial
ao olhar a actualidade
criança-povo, também
em abril acreditou
o desencanto porém
um novo olhar plasmou
este mar de fariseus
entristece o nosso olhar
abril ficou nos museus
sem viço, sem sol, sem ar
liberdade à corrupção
ao tráfico de influências
capone está vivo e são
a maior das evidências
o regime de abril tem
que olhar com outra visão
a vida assim não vai bem
diz o povo e com razão
democracia doente
o sol deixou de brilhar
criança-povo já sente
que muito tem de mudar.

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Carta aberta ao primeiro ministro.


Exmo Senhor Primeiro Ministro
Excelência:
Com o devido respeito e tendo como único fito dar-lhe algumas dicas na condução da nau lusitana enfrentando alguns perigos neste mar encapelado de polémicas e acusações ferozes, com ventos recessivos no horizonte e nuvens negras prenunciando borrasca iminente, estou a dirigir-me a si; sei bem que V. Exa é piloto exímio, tem o norte sempre no pensamento e não o perde com facilidade, mas receio que esteja a leste de certos factos que poderão conduzir a nau lusitana a águas traiçoeiras.
Não, não lhe vou falar das suas peripécias no início de carreira, como vem fazendo o Público e alguns bloguistas quiçá bem intencionados mas usando uma linguagem rançosa que tem sabor a ressabiamento e a mesquinhez. Naquele período era prática corrente (e legal) tais expedientes, daí o meu prudente silêncio de Conrado.
Vou falar-lhe de coordenação. Sim, isso mesmo. Foi por falta dela (dentre outros factores não menos despiciendos) que o Dr Santana Lopes foi libertado da pesada responsabilidade de pilotar a nau lusa. Era timoneiro mais dado a coordenar o seu tempo com mundanismos estéreis, deixando o barco se não à deriva, pelo menos à mercê de correntes pouco éticas e nada consentâneas com uma pilotagem segura, austera, com um rumo flexível mas com rota segura.
Essa coordenação é imprescindível para que a tripulação cumpra com zelo o seu míster e o trabalho de pilotagem seja mais objectivo e mais orientado para tarefas superiores e de grande alcance nacional.
Sei bem que no horizonte médio há escolhos iminentes a que importa dar resposta. Há submarinos no horizonte, não para afundar, como é óbvio, mas para LIQUIDAR!
Essa tarefa hercúlea vai buscar quase 0.5 % ao PIB e há que tomar desde já medidas atempadas e não demagógicas a fim de não haver sobressaltos na hora da verdade. Há escolhos diversos que vão surgindo inopinadamente. Há riscos de navegação que importa acautelar com a prudência e a mestria que só a experiência ministra. Não sou muito mais experiente que V. Excelência mas devo dizer que sei dos mares e das correntes aquilo que é imprescindível, conheço dos ventos e das nuvens aquilo que se deve saber para não deixar ir por água abaixo o que tanto custou a ganhar e que por vezes é fruto de gerações. O povo português, este povo sacrificado e austero , precisa de ser acarinhado e ouvido. Não quer vendedores de ilusões.
Há sereias no horizonte clamando por «desmantelamentos» como panaceias para a cura de todos os males. Cuidado com elas. Há que pôr cera nos ouvidos pois são contraditórias, populistas, pregam à segunda uma coisa e à terça o seu contrário com uma desfaçatez sem nome.
Há que repartir a austeridade por todos os membros da tripulação com equidade, bom senso, sem se sobrecarregar uns em detrimento de outros. Vemos os «calafates da banca» a criar «buracos» de todo o tamanho contemplando familiares e amigos, enquanto que outros marinheiros vão sofrendo na pele os juros altíssimos, sendo os burros de carga do sistema. Há que ir ao cerne da questão. Já ouviu falar no sapateiro de Braga? esse mesmo, o que dizia «ou há moralidade ou comem todos!» Cada vez faz mais falta!
Há que repartir os sacrifícios pela marinhagem (ou o mal pelas aldeias...) de forma equilibrada e sensata. Quando a saúde se desunha num afã economicista de criar suspeição, era bom que a rede de transportes fosse ampliada e renovada (INEM e afins) de molde a corresponder à nova conjuntura em que a macrocefalia traz benefícios (economia de escala) mas acarreta custos para todos os cidadãos, que importa acautelar. Quando se fiscaliza a restauração há que fazê-lo com pedagogia e não com ares furibundos de um Silva Pais zelozo e sem escrúpulos... Sancionar sim, mas a pedagogia sempre no horizonte.
Quando o fisco aperta o cerco é preciso que o faça com equidade e não fazer vista grossa aos grandes e gordos e penalizar os fracos e magros. Sei bem que um piloto de uma grande nau não pode estar omnipresente mas tem que ter delegações de competência. Não, não pretendo «bufaria» para delatar, mas sim marinhagem atenta aos buracos e às derrapagens que vão surgindo no porão ou na casa das máquinas com frequência desusada.
Quanto à coordenação estrutural não queria deixar de dar uma palavra de estímulo àqueles que se vão da lei do desânimo libertando, e, sempre atentos ao rumo, sempre olhando os céus e as águas, vão zelando para que esse adamastorzinho chamado corrupção não lance os seus tentáculos e procure alcançar o hélice ou manietar o leme, pois aí lá ficará a barca lusíada em águas cada vez mais inseguras. Creio que não se amedrontar (fascinar?) manietar por ele, embora desde já lhe avise que a sua força é imensa, o seu fascínio gigantesco, e tem a protecção de alguns deuses na comunicação social, nos grandes grupos económicos e até nos paços episcopais.
Que consiga, contra ventos e marés, resistir às sereias, aos adamastores, aos ventos e aos escolhos ocultos, são os votos deste passarinho sempre atento aos perigos da navegação marítima. Bem haja e que a bom porto aporte, são os meus votos sinceros.
rouxinol de Bernardim

Hilary Clinton ou Barack Obama?




Em tempos de crise profunda qual será melhor para os USA (e para o mundo em geral) Hilary ou Barack?
Se pensarmos na situação deixada por Clinton (marido) e no ascendente que poderá ter na política externa, com reflexos positivos no clima económico, estou em crer que a vitória de Hilary é mais lógica e mais racional. Julgo que seria apaziguadora e talvez conduzisse a bom termo o atoleiro iraquiano.
A vitória de Barack, fazendo reavivar o sonho de Luther King, poderia ter reflexos positivos mas também negativos a nível interno. A ideia de revanche poderá estar na mira do eleitorado negro ou de origem externa. O «melting pot» que caracteriza um caldo de cultura heterogéneo, plurifacetado, poderá desencadear fenómenos de intranquilidade pública com a vitória de Obama. Oxalá isso não suceda para bem de todos.
Se Hilary vencer é crível que os democratas voltem à Casa Branca e um novo clima mundial possa emergir, deixando para trás os anos negros de um bushismo violento, virado para o armamento e petróleo como supremos desideratos de uma política externa completamente desastrosa. Já estamos fartos de cow-boys!

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Hoje mascarei-me de...

Ele é muleta segura
de corruptos e vigários
tem um punhal à cintura
rodeia-se de sicários
frequenta a alta roda
discurso fora de moda


salazarista saudoso
um clone do ditador
papagaio palavroso
pavão temente ao senhor
é narcisista cem por cento
anseia por monumento


figura de proa eu sei
farol de fé e cultura
epicurista, direi
tem majestosa pintura
como santo milagreiro
lá na cripta do sameiro.

Adivinha quem é?!




Tem uma cadela a quem chama «Lealdade»...
Dá boas «mordomias» aos rafeiros a soldo...
eis a prova.
julga ter tudo na mão
talvez ser dono do mundo
julga ter sempre razão
e nutre um ódio profundo
a quem não lhe diz «amém»
e outra opinião tem...
dos outros quer vassalagem
permanente submissão
julga ter muita coragem
julga-se o mais puro e são
quem o ousar contestar
ao tribunal vai malhar...
criticar é insultar
discordar, atrevimento
não é capaz de aceitar
dos outros o pensamento
e tem «solução final»
«queimá-los» em tribunal!!!
nota do autor: não, não se trata de Hitler!!! mas é de raça ariana pura!

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Alienação & alienação ilimitada...







O carnaval presta-se a tudo. Há como que uma descompressão que liberta, dá asas à imaginação, cria uma euforia que contagia tudo e todos. Essa folia desmedida é propensa à alienação (no sentido de alheamento da realidade) e ao ocultamento de coisas realmente importantes, fazendo sobressaír coisas menores. Dizem que é um mal necessário. Temos que saber rir de nós próprios. É saudável, é legítimo. Mas não podemos perder o pé...
Também há que analisar certa mensagem subliminar que tende a exaltar o vício como se fosse a única coisa realmente importante. Há que ter a noção da relatividade das coisas. Há que saber dosear o excesso para que não seja um narcótico alienante.
Vemos em certos locais o culto de figuras com tiques tiranizantes a aparecerem nesta altura como autênticos símbolos populares, quando são, de facto, opressores e caciques liberticidas...
Mesmo nas homilias dominicais há padres que nunca falam da corrupção, da injustiça social resultante de uma concentração de meios financeiros nuns poucos, gerando um pauperismo degradante na grande maioria da população. É mais fácil ouvir comentários sobre notícias do jet set, sobre as novas protuberâncias mamárias da Floribela, sobre as férias do Sarkozy, do que sobre as delapidações do Jardim (ao JM ou ao Diabo, sobretudo), ou os escândalos na banca.
Há toda uma cultura propensa a secundarizar o que é realmente importante, para enaltecer a banalidade, a futilidade, a fofoca pura e simples. Dantes falava-se nos três F's, mas agora esses três F's têm contornos mais sofisticados: Fofocas, Futilidades, Facadas no matrimónio dos famosos...
Há canais e programas de TV que são obsessivos nessa campanha alienatória. É o cor-de-rosa a tentar ocultar o lado negro da sociedade: exploração, desemprego, custo de vida, saúde de rastos, justiça só pra ricos, criminalidade de colarinho branco sempre impune, etc.
Já não há homens como D. Óscar Romero de El Salvador. Nas suas homilias atacava a corrupção e os escândalos que eram a causa da miséria e injustiça social. Foi morto em plena missa. Assassinado pelos mandantes de então.
Agora que vemos? Padres a falar de futebol, de telenovelas, de futilidades do jet-set. Passam (calculisticamente) ao lado da exploração laboral, das falências fraudulentas que lançam para o desemprego milhares de cidadãos, dos furtos ao erário público praticados pelos senhores fulanos de tal que vêm depois, sempre «de consciência tranquila», dizer que é tudo legal, tudo transparente, tudo apenas «vícios processuais» de pequena monta...
Era a «urgência» que levou a entregar a empreitada X ao senhor Y, sem concurso público, foram as tais «obras a mais» que apareceram sem ninguém esperar...
E com este chico-espertismo lá vão milhares de euros para os bolsos de meia dúzia que depois até se dão ao luxo de serem mecenas da bola, do ciclismo, das viagens ao Brasil...
Cambada de corruptos que são alimentados pelo sistema (esse biberão gigante), dando azo a que os que os apoiam (os turibulários, os cipaios, os sicários...) também mamem (embora menos...) do erário público alguns pingos de vil metal.
Quem critica, honra seja feita aos jornalistas íntegros, aos escritores não vendidos, aos professores com elevação cívica e pedagógica, aos cidadãos interventivos em geral, chamam «maledicentes», «invejosos»...
O «Rei momo» lá vai, cantando e rindo, louvado, louvado sim, na pele , o povo sentindo os desmandos de tanto «jardim»...

Vieira, um exemplo de coragem!

Foi de uma eloquência digna de louvor. Foi perseguido, espezinhado, torturado. A tudo resistiu com a coragem dos verdadeiros resilientes. O poder, esse ninho de lacraus onde se acoitam os fracos, os corruptos, os fariseus, foi sempre pouco pródigo para com ele. Chegou a estar preso. Chegou a ter a proibição de pregar. A famigerada Inquisição prendeu-o (1665) com acusações idiotas...

Em 1675 haveria de ser reabilitado pelo papa. Foi ilibado de todas as falsas acusações imputadas pela Inquisição. Absolvido com todo o mérito. O seu livro«Esperança de Portugal» fora o leit-motiv da perseguição desencadeada pelo Santo Ofício.

No Brasil apoiou os índios (os tupi chamavam-lhe «Paiaçu», «Grande Pai», no seu dialecto). Foi pioneiro na abiolição da escravatura, o que lhe haveria de causar graves problemas com os colonos. O poder, sempre o poder, a amesquinhá-lo, a tentar denegri-lo.

O autor do célebre «Sermão aos Peixes» verberou os padres da sua época, acomodados ao poder, resignados aos arbítrios dos senhores, olhando sem intervir, os grandes comendo os pequenos... Tal qual agora se vai passando...

Quantos Vieiras vemos hoje em dia?

Muito poucos. Vimos o padre Abel Varzim, o padre Américo, o padre Cruz. Vimos D. António Ferreira Gomes, vimos D. Manuel Maria Martins. Vemos D. Januário Torgal Ferreira, uma das poucas honrosas excepções no meio de um mar de acomodados, de serventuários, de cúmplices com um poder mais virado para explorar do que para libertar ou emancipar os opimidos.

Daí que, este meu testemunho seja uma homenagem a quem soube lutar contra o arbítrio, a corrupção, o poder mais abjecto, sofrendo no corpo e no espírito as consequências dessa lealdade pura ao povo e aos princípios libertadores. Coerência não dá prebendas, não dá prémios literários, não dá sinecuras. Dá prejuízos e sacrifícios. Dá embates com a justiça, dá perseguições e calúnias das mais torpes.

Ele sofreu isso tudo, e, sem tergiversar, sem vacilar, acabaria por ser absolvido e louvado. Honra lhe seja feita.

domingo, fevereiro 03, 2008

Excessos da Igreja Católica...


Gregório XVI, de nome Bartolomeu Alberto Cappelari cometeu alguns excessos que, vistos à distância, são motivo de gozo. Chegou ao ponto de , num excesso de autoritarismo, proibir a construção de linhas férreas e combóios...
Mas, observe-se o teor de um edital publicado à porta da igreja de Junqueira (Vila do Conde) a um domingo, 24 de Agosto de 1834 (citando Monteiro dos Santos in «Correio da Junqueira» de 18.12.2007).
«Por serviço de Deus, bem da igreja Santa de Jesus Cristo, defesa da Santa Religião e utilidade dos fiéis e salvação das suas almas, faz-se público que o Sumo Pontífice, ora presidindo na Igreja de Deus, Gregório XVI, foi servido no dia 8 de Fevereiro de 1834 publicar uma bula em pleno Consistório, pela qual lança excomunhão e seu interdito ao chefe do Governo de Portugal, D. Pedro de Alcântara, a todo o seu Ministério, a todos os que preparam as armas por ele mandados, a todos os eclesiásticos Seculares ou Regulares por ele nomeados ou empregados, a um padre Marcos Pinto Soares Vaz Preto, de Lisboa, a todos os seus satélites e declara todos suspensos de seus exercícios e ordens separados para sempre da comunhão da Igreja. Estas censuras são reservadas somente a S. Santidade e só em artigo de morte dá faculdade a confessores aprovados para absolverem destas penas, mas não àqueles que foram sentenciados
pelo Governo passado que esses estão por S Santidade privados de absolver nem em artigo de morte. Todos os padres ou clérigos a quem os capitulares nomeados por D. Pedro dão jurisdição não a têm se não a tiverem do Capitular legítimo, pois aqueles estão excomungados pelo Sumo Pontífice e privados de toda a jurisdição. Dá por nulo o santo sacrifício da Missa para eles oferentes e sacrilégio de condenação a tal que nem no dia tremendo obterão perdão. Ninguém se pode confessar com os tais, pois ficam as confissões nulas e sacrílegas e nem sequer podem ouvir-lhes a Missa. Para ao que tentar o contrário ou este edital arrancar será maldito de Deus todo poderoso. Da Bem Aventurada Virgem Maria, dos apóstolos S. Pedro e S. Paulo e de todos os santos e santas da Corte do céu e lançado nas trevas exteriores aonde arderão eternamente.Amem.»
Ao que leva a chamada «infalibilidade» e o «temor de Deus»!...
Enfim, ridículo, patético, caricato...
Como é possível ter acontecido isto? A manipulação política mais abjecta com recurso a um líder religioso que deveria ser prudente, sensato, intelectualmente honesto.
E hoje em dia o que se passa na instrumentalização dos párocos pelos caciques locais?
Contaram-me (várias pessoas idóneas) que um conhecido pastor antes de um acto eleitoral fez apelo ao voto numa candidata e subrepticiamente hostilizou os candidatos da oposição a quem apelidou de «grupo de cachopos que querem ser autoridades»...
Outro acusou um candidato a presidente de câmara de não ser casado pela Igreja, como se fosse o maior anátema, o mais ignominioso ferrete. Outro, veio para os jornais dizer que não se deveria votar em Jorge Sampaio porque era casado sem ser pela Igreja!
Há padres que em vez de se candidatarem a presidentes de junta, como seria legítimo e mais democrático, ficam atrás do candidato, apoiam-no, esperando usá-lo mais tarde. Não é correcto. Os padres deveriam ser isentos e imparciais. Nunca se servirem do seu cargo para fazerem pressões ilegítimas e intimidatórias. Isto é baixa política e baixa religião!!!
Conheço um que recusava ostensivamente a comunhão e enxovalhava as pessoas em público, colocando-se acima de Deus, no julgamento sumário que fazia na própria igreja. Um dia veio pela igreja abaixo e acusou um cidadão de estar ali, não para se confessar, como era sua intenção, mas (pasme-se...) para ouvir as confissões alheias!!!
Era uma forma de humilhação política (eram adversários) notória e infamante. A vítima nunca mais se foi confessar...
Outro, fez uma denúncia sobre uma câmara municipal sobre suspeitas de corrupção. Quando se soube tal denúncia o padre (muito amigo do presidente) fez uma homilia verberando o «pecado» da denúncia como se fosse algo digno do inferno! foi ao ponto de chamar à colação S. José, afirmando que este, apesar de saber que a Virgem Maria estava grávida e ele não ser o pai, nunca a denunciou!!!
Isto passa-se hoje, quando deveria haver mais contenção mais respeito pela inteligência do povo.
E o povo ainda não abriu totalmente os olhos. O povo ainda não viu que por detrás de muita «devoção» poderá estar acordo estratégico, cumplicidade óbvia, tráfico de influências notório, «compra» de votos a troco de carradas de subsídios e de apoios ostensivos a todas as festarolas e a todas as bizantinices que se queiram aprontar. É, diga-se sem medo e com frontalidade, corrupção política e corrupção moral!!!
Aparecerem padres como «guarda pretoriana» de um presidente, como «comissão de honra», é algo de aberrante, é uma falta de isenção e de imparcialidade grotesca, é o lambebotismo ao poder mais aviltante, é a subordinação mais repugnante e a antecâmara de todas as possíveis ilicitudes. O que é legal nem sempre é ética e humanamente aceitável. O que não é proibido por lei poderá sê-lo pela consciência, pela ética, pela própria moral.
Na maior parte dos casos (nem sempre, sejamos honestos e sérios...) os padres estão ao lado do poder. Depois, quando o poder muda, eles, sem um resquício de honra e de verticalidade (as tais «varas agitadas pelo vento»...) viram a casaca para quem está na mó de cima, sem olharem para o mau exemplo que estão a dar aos paroquianos. Padres-carneiros... e não, como deveria sê-lo, padres-pastores dignos, firmes e hirtos na sua idiossincrasia, na sua postura. O tal que chamou «cachopos» anda agora alegremente atrás dos «cachopos» que agora são «autoridades». Se a coisa mudar ele andará sempre a reboque... Triste figura, triste camaleonismo, triste falta de verticalidade.

sábado, fevereiro 02, 2008

«Lealdade política», variações sobre o tema...




O tema tem pano para mangas. Quando alguém o invoca normalmente procura tirar dividendos, chamar outrem «à pedra», por se sentir lesado.



Quando os intervenientes são de partidos diferentes não há lugar à chamada «lealdade partidária» (de conotações corporativas) mas sim à lealdade perante o povo, perante as instituições, perante compromissos assumidos.



Ora, quando alguém jura lealdade na sua função e ela é fiscalizar o executivo, não se deve confundir com lealdade a quem está no executivo. Seria uma submissão ilógica, seria uma trela sem sentido. Um contra-senso idiota (cego, estulto).



Mas há quem assim o não entenda. Há quem pense que a lealdade é unívoca. Há quem pense que os outros lhe devem ser leais a ele , e ele, mesmo usando termos ofensivos, não deve lealdade a ninguém.



Sejamos leais connosco próprios. Quando alguém diz que os adversários têm «comportamentos esquizofrénicos», mesmo sabendo que não é verdade, mesmo por formação académica, sabendo que está a laborar numa perversão analítica destinada a apoucar adversários incómodos, que dizer sobre a ética, a deontologia profissional, sobre a honra de quem assim acusa de forma infamante um adversário? Que de lealdade, que de estofo moral, que de aprumo cívico?



Ele não têm da decência a justa noção, não tem da dignidade o correcto alcance, ele não possui da lealdade a mínima percepção. Enfim, é um desastre em termos morais, é um zero em termos de carácter, é uma nulidade em questões de combate político lúcido e saudável.



Vem agora perorar nos areópagos judiciais sobre questões de lealdade como se fosse o paladino-mor, o supra-sumo, o detentor de todas as virtudes. E estabelece, ele próprio, as balizas, ao seu livre arbítrio, à sua própria análise, ao seu exclusivo critério... enfim, o dono da moral, o dono da verdade! enfim, supremo juiz em causa própria!!!



Santa paciência para aturar este tipo de vendilhões do templo democrático que pretendem dar lições de lealdade, querendo ser mais papistas que o papa mas cerceando-lhes a força moral para isso pelo seu próprio comportamento provocatório «ex-ante», pela sua atrabiliária conduta, pela linguagem desbragada, pelo constante e pouco edificante recurso a termos como «maledicência», «despudor», «mediocridade», e tantos outros no cardápio já rançoso e bolorento...

E, suprema ironia, acha que «tentáculos» é gravíssimo, insinua «tráfico de influências» e coisas similares que não são de consumo corrente lá em casa, muito pelo contrário. Mas há quem não pense assim ao olhar para os vencedores de concursos para admissão de pessoal ou para empreitadas e formecimentos. E pensar ainda é livre, que se saiba, que me conste. Ainda não li hoje o DR mas não creio que já tenha saído algum decreto a proibir o livre pensamento...

Meu caro Ilídio Pereira, bem préga Frei Tomás!...

Alguns bem precisariam se uma dose de humildade (será que já se vende nas farmácias?) democrática para saberem que a lealdade é algo que se deve ao povo, àqueles que sofrem e labutam para chegar ao fim do mês sem grandes sufocos. A crise de valores é grande, a euforia que se apodera de quem tomou o cavalo do poder e segue a todo o galope, sem olhar para os outros, sem ver a paisagem humana que o rodeia, é algo que entra nos domínios da psicanálise, no âmbito da psicopatologia social.

E mais não digo por lealdade a mim próprio que sei demais..

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

72 virgens: engodo no anzol do fanatismo...



Setenta e duas virgens lá no céu
O Corão prometendo aos suicidas!
Criminoso e aberrante, o islão é réu,
Espoleta de vulcão liberticida!


Oh vã teocracia que conduz
Ao morticínio atroz, à negação
Da vida. Pobre a fé que mata a luz
Leva à morte inocentes, que traição!


Setenta e duas virgens, recompensa
Sem lógica, razão, sem qualquer nexo.
Maldito engodo, isco fatal: sexo!


Suicida-bombista, vil doença!
És vírus criminal. Por isso pensa:
A ti, Alá não dá o seu amplexo!